Falantes habituais de galego deixam, pela primeira vez, de ser maioria na Galícia

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O galego, como língua com histórico de batalha por sua própria continuidade, apareceu, pela primeira vez, como sendo a língua habitual de menos de metade da população, aponta pesquisa do Instituto Galego de Estatística (IGE).

Uma pesquisa de 2001 indicava que 57% da população galega usava a língua no cotidiano, enquanto 30% falava às vezes, e, 13%, nunca. Análises recentes de dados de 2011 do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontaram uma mudança dramática nos números, com apenas 44% da população falando o idioma como língua habitual, enquanto 45% o usam às vezes, e, 11%, nunca.

Mesmo com a queda de falantes habituais, a queda em dois pontos dos que nunca utilizam a língua galega foi motivo de comemoração para a Junta Galega, que chamou atenção para o fato de quase 99% da população entender o idioma, além das porcentagens do uso geral da língua terem se mantido estáveis apesar da imigração de 77140 estrangeiros para dentro da Galícia no mesmo período.

Dentre as sete cidades da Galícia, a que tem o uso mais intenso do galego é exatamente a capital da comunidade autônoma, além de ponto turístico e destino cosmopolita de peregrinação religiosa, Santiago de Compostela, onde, dos quase cem mil habitantes, 44% tem o galego como idioma habitual, 48% o falam às vezes, e, apenas 8%, nunca. Apesar dos números serem próximos da média geral, são impressionantes para uma cidade como Compostela, considerando que, nas cidades, o número de falantes tende a ser menor que em municipalidades afastadas.

Gráficos abaixo mostram a porcentagem de habitualidade do uso do galego na Galícia e em suas sete de suas cidades.

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Falantes habituais de galego deixan, pola primeira vez, de ser maioría na Galicia

O galego, como lingua con histórico de batalla por súa propia continuidade, apareceu, pola primeira vez, como sendo a lingua habitual de menos de metade da poboación, aponta pesquisa do Instituto Galego de Estadística (IGE).

Unha investigación de 2001 indicaba que 57% da poboación galega usaba a lingua no cotián, mentres 30% falaba a veces, e, 13%, nunca. Análises recentes de datos de 2011 do Instituto Nacional de Estadística (INE) apuntaran unha muda dramática nos números, con somente 44% da poboación falando o idioma como lingua habitual, mentres 45% usanno a veces, e, 11%, nunca.

Mesmo coa caída de falantes habituais, a caída en dous pontos dos que nunca utilizan a lingua galega foi motivo de conmemoración para a Xunta Galega, que chamou atención para o facto de case 99% da poboación entende-lo idioma, alén das porcentaxes do uso xeral da lingua habérense mantido estábeis a pesar da inmigración de 77410 estranxeiros para a Galicia no mesmo período.

Entre as sete urbes da Galicia, a que ten o uso máis intenso do galego é exactamente a capital da comunidade autónoma, alén de ponto turístico e destino cosmopolita de peregrinación relixiosa, Santiago de Compostela, onde, dos case cen mil habitantes, 44% teñen o galego como idioma habitual, 48% falanno a veces, e, somente 8%, nunca. A pesar dos números seren próximos á media xeral, son impresionantes para unha urbe como Compostela, sopesando que, nas urbes, o número de falantes tende a ser menor ca en municipalidades afastadas.

Gráficos arriba mostran a porcentaxe de habitualidade do uso do galego na Galicia e en súas sete urbes.

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Consoantes do galego

Explanação geral

O alfabeto galego tem 23 letras: 5 representando vogais e 18 representando consoantes. A letra <ñ> é considerada distinta da letra <n>. As letras <j>, <k>, <w> e <y> não aparecem em palavras nativas. Devem ser levados em conta os dígrafos <ch>, <gu>, <ll>, <nh>, <qu> e <rr>.

O galego apresenta certa variação dialetal, o que acarreta em variações na pronúncia das consoantes. Três fenômenos, mais comuns, devem ser levados em conta e serão melhor analisados em postagens futuras: a gheada, o yeísmo e o seseo.

As consoantes

<b> e <v> representam o mesmo fonema. Começando oratória ou sucedendo uma consoante nasal, soam como no português (/b/). [vello (velho), tomba (tumba)] Em outros casos, são pronunciadas como um <v> do português com a boca para pronunciar <b> (/β̞/). [boubexo (bobo), luva]

A letra <c> antes de <a>, <o>, <u> e o dígrafo <qu> antes de <e> ou <i> são pronunciados como no português (/k/). [casa, quero] Ao contrário do português, <qu> não aparece antes de <a> ou <o> nem recebe trema.

A letra <c> antes de <e>, <i> e a letra <z>, que só aparece antes de <a>, <o>, <u>, são pronunciadas como um <s> com a língua entre os dentes (/θ/). [certo, azo (aço)]

O dígrafo <ch> deve ser pronunciado como o português <tch> (/tʃ/). [chamar]

Começando oratória ou sucedendo uma consoante nasal ou l, a letra <d> tem uma pronúncia como no português (/d/). [dous (dois), mundo, balde]. Caso contrário, é pronunciado como um <z> do português com a língua entre os dentes (/ð̞/). [lado]

A letra <f> é pronunciada como no português (/f/). [ferro]

Começando oratória ou sucedendo uma consoante nasal, a letra <g> tem uma pronúncia como no português (/g/). [gordo] Caso contrário, é pronunciada com fricção (/ɣ/). [auga (água)]. A letra <g> não aparece em palavras nativas antes de <e> ou <i>, sendo substituída por <gu>. [guerra] Para a combinação de <g> com <u> como sons separados antes de <e> e <i>, usa-se <gü>. [ungüento (unguento)]

A letra h é muda. No entanto, no galego, aparece frequentemente em palavras onde ela não existe em português. [herba (erva), lobishome (lobisomem)]

A letra <l> sempre tem o mesmo som em galego (/l/), nunca soando mais velar ou como <r> ou <u>, como acontece em diversas variedades de português. [lúa (lua), sol]

A combinação <ll> soa como o português <lh> (/ʎ/). [ollo (olho)]

A letra <m> sempre tem o mesmo som em galego (/m/), nunca muda como pode ocorrer em português. [muller (mulher), campo] O <n> na combinação <nv> assimila com o som de <v>, soando como <m>. [conversar]

A letra <n>, em geral, soa como no português (/n/), no entanto, não só nunca fica muda como tende a assimilar com o som da próxima consoante. [non (não), antonte (ante-ontem)] Antes de /k/ e /g/, tem uma pronúncia com fechamento da garganta (/ŋ/), som que ocorre entre vogais na palavra “unha” (uma) e derivadas, representado como <nh>. [nunca, anguía (enguia), algunha (alguma)] Antes de <v>, como notado acima, é pronunciado como /m/

A letra <p> soa como no português (/p/). [pai]

A letra <r>, em posição não inicial, é como no português entre vogais (/ɾ/). [caro] No começo de palavras e no dígrafo <rr>, tem um som como o de /ɾ/, mas mais vibrante (/r/). [carro, rúa (rua)]

A letra <s> tem sempre som similar ao que teria em português no começo das palavras, no entanto, é mais sibilante, sendo pronunciada com a língua tocando os dentes inferiores (/s̺/). [casa] Antes das consoantes nasais, <b>, <d>, <g>, <l>, <r>, <v>, é pronunciada como um <z> do português mais sonoroso (/z̺/). [mesmo]

A letra <t> soa como no português (/t/), e é sempre igual, não sofrendo palatalizações como em algumas falas do Brasil. [tío (tio)]

A letra <x>, em geral, é pronunciada como soa em português no começo de palavras (/ʃ/). Em empréstimos, pode ter o som de <cs>, simplificado para <c> por questões de facilidade antes de /s̺/, e, opcionalmente, /θ/. [peixe, sexo, exsangüe (sem sangue), excelente, excelente]

Vogais do galego

Explanação geral

O galego tem sete vogais em posição tônica (e, raramente, pré-tônica): /a/, /e/, /ɛ/, /i/, /o/, /ɔ/, /u/. Como se pode perceber, as letras <e> e <o> têm duas realizações diferentes: uma aberta e uma fechada.

Se uma sílaba é fechada e termina em <l> ou se ela precede um som nasal (<m>. <n>, <ñ>, <nh>), só são permitidas as vogais abertas, o que vale para tanto tônicas quanto átonas: /a/, /ɛ/, /i/, /ɔ/, /u/. Caso contrário, dentre as átonas em geral, só são permitidas as fechadas:  /a/, /e/, /i/, /o/, /u/.

Se a última letra de uma palavra é uma vogal átona, o número de sons possíveis é diminuído para três: /ɐ/, /ɪ/, /ʊ/.

Antes de nasais, uma vogal pode ou não ser levemente nasalizada, criando livre variação entre /a/, /ɛ/, /i/, /ɔ/, /u/ e /ã/, /ɛ̃/, /ĩ/ /ɔ̃/, /ũ/.

Derivação

Alguns sufixos, como –mente e –eiro, preservam a qualidade de raízes com vogais abertas, permitindo que elas ocorram em sílabas pré-tônicas sem preceder consoantes nasais ou <l> fechado. Exemplos são seriamentecosteiro, derivados de serio (sério) e costa.

Ditongos

Em galego, os ditongos são formados por uma semivogal (i /j/ ou u /w/) e uma vogal, onde a distinção entre abertas e fechadas é anulada e as fechadas permanecem, criando 5 vogais possíveis (a /a~ɐ/, e /e~ɛ~ɪ/, i /i/, o /o~ɔ~ʊ/, u /u/). Ver os exemplos de ditongos decrescentes caixa, queixo (queixo ou queijo)noite, automóbil (automóvel), eusou e os crescentes cambiar (mudar), ambiente, cumio (cume),  cuarto (quarto), frecuente (frequente), cuota (cota).

Os ditongos iu ui são praticamente sempre decrescentes em sílabas tônicas [como em partiu puiden (eu pude)], mas é da escolha do falante pronunciá-los como decrescentes ou crescentes em sílabas átonas, criando duas pronúncias possíveis [como em puideron (puderam)]. As únicas ocorrências destes em ditongos obrigatoriamente crescentes são em lingüista (linguista) e acuífero (aquífero).

Regras de acentuação

O sistema de acentos do galego é muito mais simples que o do português, por ter sido baseado no castelhano. Deve-se pensar em quatro regras:

  1. Palavras não-acentuadas terminadas em outras consoantes ou em ditongos são oxítonas (a sílaba tônica é a última) [Nadal (Natal), comer, amou]
  2. Quaisquer outras palavras recebem acento [máis, así (assim), dólar]
  3. As combinações que em português resultariam em uma opção entre hiatos e ditongos crescentes são sempre tratados como hiatos [Asia (Ásia), serio (sério), familia (família)]

Ortografia e exemplos

Ao contrário do português, só existe um acento, o agudo, o que pode causar ambiguidade.

/a/ e /ɐ/ são representados como <a> (casa)

/e/, /ɛ/ e /ɪ/ são representados como <e> (dedo, mel, sempre)

/i/ é representado como <i> (fillo)

/o/, /ɔ/ e /ʊ/ são representados como <o> (señor, sol, bolo)

/u/ é representado como <u> (azul)